Nietzsche,
influente filósofo alemão (1844-1900). "Der Wille zur Macht"
literalmente, "A vontade para o poder", obra póstuma traduzida em
várias línguas, elabora a partir de anotações do autor, onde foi conservado a
fidelidade dos escritos. A primeira edição de "Vontade de Potência"
foi organizada e publicada em 1901 por
Elisabeth Foerster Nietzsche irmã de Nietzsche.
Autor: Nietzsche, Friedrich
Livro: Vontade de Potência - Volume 1
Editora: Escala
Tradução: Antonio Carlos Braga e Ciro Mioranza
Ano publicação: 2010
ISBN: 978-85-389-0066-5
Vontade de
Potência é o quarto livro de Nietzsche que leio, onde sempre busquei sublinhar
trechos os quais julgo interessante como também em outros autores, agora achei
por bem divulgar esses trechos na web, porque acredito que o conhecimento tem
que ser compartilhado.
Este livro
se dirige a poucos, aos homens livres, para os quais não há mais proibição: reconquistamos
passo a passo o direito a todas as coisas proibidas. Dar provas de poder e de
segurança conquistados, mostrando que "desaprendemos" o medo,
sentir-se livre para trocar a desconfiança e a suspeita pela confiança em
nossos instintos, saber amar-se e honrar-se na própria sabedoria - e até mesmo
na própria loucura; ser um pouco tolo, um pouco deus; não ser nem cavaleiro de
triste semblante nem coruja; nem uma serpente.
Trechos primeira
parte:
3-Meus amigos,
nada acontece em próprio proveito; é pura tolice se os homens superiores sofrem
por causa da época em que vivemos; nunca tiveram melhores oportunidades. Pág.
16.
8-Neste século
(em que sabemos que a ciência está em seus inícios),
construir sistemas é uma
infantilidade. Pelo contrário deve-se tomar decisões de método de longo alcance
por séculos, pois, será realmente necessário que um dia possamos ter em mãos a
direção do futuro humano.
9-Reivindicaria
como propriedade e produto do homem, toda beleza, toda nobreza que conferimos
às coisas reais ou imaginárias; (...) Pág.16
10-Todo indivíduo
colabora no conjunto do ser universal- quer o saiba ou não - quer o queira ou
não. Pág.17
11-Sou esse homem
predestinado que determina os valores por séculos. O homem escondido,
perseguido em toda parte, o homem sem alegria, que repudiou toda pátria, todo
descanso. O que faz o grande estilo: sentir-se senhor de sua felicidade como de
sua infelicidade. Pág.17
12-(...) Sexto princípio - Não se interessar mais
a respeito daquilo que nosso ponto de vista tem de humano é sinal de virilidade
completa; o que queremos é muito mais preencher estritamente nossa medida e
aspirar a conquistar a maior medida de poder sobre as coisas. Discernir que o
perigo é imenso foi o acaso que reinou até aqui. Pág. 17
Sétimo princípio -
a tarefa de governar a terra vai nos levar ao fracasso. Disso decorre esta
pergunta: Como pretendemos modelar o futuro da humanidade? Necessidade de
tabelas de novos valores . Nosso dever mais urgente: lutar contra os defensores
dos velhos valores "eternos" (...). Pág. 18
16-"Fui o
primeiro a recompor a síntese do justo, do herói, do poeta, do pesquisador, do
adivinho, do chefe; por sobre os povos, construí minha abóbada, apoiada em
colunas que suportam um céu, à sua maneira - que são bastante resistentes para
carregar um céu". Pág.19
19- É necessário
ser capaz de admirar com veemência e penetrar no íntimo de muitas coisas;
faltando isso não há como ser filósofo. Os olhos cinzentos e frios ignoram o
valor das coisas; os espíritos cinzentos e frios ignoram o peso das coisas. Mas
é necessário, na realidade, possuir também a faculdade contrária: saber voar
para alturas distantes e supremas, de onde se percebe bem baixo, bem baixo
abaixo de si, as coisas que mais admiramos quando temos bem perto aquelas que
talvez desprezávamos. Pág. 19
22-Pelo
contrário, aquele que ora toma a palavra nada fez até hoje a não ser pensar,
como filósofo e como solitário instintivo, que é proveitoso viver afastado,
fora do mundo, na paciência, na temporização, no retiro; espírito audacioso,
explorador, que alguma vez já se perdeu em todos os labirintos do futuro;
pássaro profeta e para quem basta olhar para trás para contar o que há de vir;
é o primeiro niilista completo da Europa, mas, ao ter impelido em próprio o
niilismo até seu termo, ele o pôs atrás de si, abaixo de si, fora dele. Pág. 20
23-Como prefácio
- Na fortaleza Gonzaga, às portas de Messina. Estado de meditação profunda.
Tudo concorreu para me afastar dos homens; nenhum vínculo mais, nem de amor nem
de ódio. Como uma fortaleza abandonada. Vestígios de guerras; terremotos
também. Esquecimento. Pág. 20
24-Para um homem
que viveu com um grande problema como com um destino e cujos dias e noites são
passados em diálogos e em resoluções solitárias, as opiniões de outrem sobre
esse mesmo problema são uma espécie de zumbido do qual se defende tapando os
ouvidos; ouve a respeito, quando muito, indiscrição, incompetência e indecência
da parte daqueles que, a seu ver, não têm direito a semelhante problema, porque
não o descobriram. É privilégio nas horas em que desconfia de si mesmo, de seu
direito e de seu privilégio, que o apaixonado solitário - pois, todo filósofo é
isso - deseja ouvir tudo o que foi dito ou subentendido por ocasião de seu
problema; talvez perceba então que o mundo está repleto de apaixonados
ciumentos como ele e que todo esse barulho, toda essa confusão, essa vida
pública, todo esse desfile da política da vida cotidiana, da feira, da
"época", tudo isso parece ter sido inventado somente para permitir,
ao que resta de solitários e de filósofos, dissimular-se atrás disso, no que
constitui sua solidão própria; todos ocupados com uma única coisa, apaixonados
por uma única coisa, ciumentos de uma única coisa: justamente seu próprio
problema. "Só se pensa nisso hoje, por pouco que se pense", diz ele
finalmente para si mesmo. "Tudo gira em torno desse mesmo ponto de
interrogação. O que parecia ser reservado para mim é o que a época inteira ambiciona;
no fundo, nada mais acontece; eu mesmo - mas o que importa minha pessoa!". Pág. 20
25-Nunca tive num
só instante o pensamento de que o que escrevo pudesse morrer ao cabo de alguns
anos e fosse considerado, por conseguinte, se deveria ter sucesso, ter um
sucesso imediato. Sem jamais ter pensado na "glória", nunca duvidei
que esses escritos sobreviveriam. Se nunca pensei em meus leitores, era de
leitores isolados, indivíduos esparsos no decurso dos séculos; não sou como um
cantor que tem necessidade de uma sala repleta para se sentir com a voz alerta,
com o olhar expressivo, com a mão eloquente. Pág 21
Por Irineu Magalhães




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