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Pedro Páramo - Juan Rulfo

"Pedro Páramo" (1955), uma obra prima da literatura mundial, do escritor e fotógrafo mexicano Juan Rulfo (1917-1986), único  livro do escritor. Em uma narrativa que mistura romance, ficção e poesia, "Pedro Páramo" consegue conquistar o leitor nas primeiras páginas. É um tratado do sentimento humano, dos desejos e pavores mais ocultos: vingança, amor, ódio e servidão. 


(...) -Não sei, João Preciado. Há tantos anos que não levantava o rosto, que me esqueci do céu. E ainda que o houvesse feito, que haveria ganho? O céu está tão alto, e meus olhos tão sem vista, que vivia contente em saber onde ficava a terra. Além disso, perdi todo meu interesse desde que o padre Rentería me assegurou que jamais conheceria a glória. Que nem sequer de longe a veria… Foi coisa de meus pecados; mas ele não me devia tê-lo dito. Já por si a vida se leva com trabalhos. A única coisa que faz a a uma pessoa mover os pés é a esperança de que ao morrer a levem de um lugar a outro; mas quando lhe fecham uma porta e a que fica aberta é só a do inferno, mais vale não haver nascido… O céu para mim, João Preciado, está aqui onde estou agora.

Por Irineu Magalhães


Por Irineu Magalhães

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Acordes de um sonho bom



Amor querido te soluço

Em meu peito sofrido,

Já não sei se dor maior é te ver

Sem ser percebido ou se corro

O risco de por ti ser esquecida.

Oh dúvida de amargar!

Explica  tanto sofrimento

Se a cada noite ao repousar

Tenho somente em ti o meu alento?

E nas tormentas de meus sonhos

Quando a aurora se põe a clarear

É tua doce imagem que vem

Em lembranças me acordar.
                            
                                        Sabrina Vianna

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Predestinação



Beleza que te quero tão próximo do meu ser
És tão imperfeito que se torna o santo de minha devoção.
Não me entendes?Como não?!
Santos pecam em seus caminhos
Até terem seus milagres consumados e
Por Deus são predestinados;
A ti meu amor em outra vida foi dedicado,
A ti nesse caminho te dou meu pensamento,
Meu sonho,minha fidelidade,
Doce amor da minha mocidade
                                    Sabrina Vianna

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Poemas de William Blake

William Blake é considerado atualmente um dos mais  importantes poetas de língua inglesa. A personalidade complexa de Blake tornou-o incompreendido e emblemático, para muitos críticos de artes. 

As duas primeiras décadas do século XIX foi de relativa obscuridade artística para o poeta, ocasionado por perdas comerciais, onde conseguiu imprimir em seus trabalhos todo seu desalento.

Blake nasceu em Londres no ano de 1757, e a partir de 1783 viveu exclusivamente dos seus talentos artísticos. Viveu o iluminismo, e além de poeta foi  pintor e tipógrafo. 

Por Irineu Magalhães




Veja abaixo algumas poesias de Blake:


Uma Imagem Divina

A Crueldade tem Humano Coração, 
E tem a Intolerância Humano Rosto; 
O Terror a Divina Humana Forma, 
O Secretismo Humano Traje posto. 

O Humano Traje é Ferro forjado, 
A Humana Forma, Forja incendiada, 
O Humano Rosto, Fornalha bem selada, 
Humano Coração, Abismo seu Esfaimado. 

William Blake, in "Canções da Experiência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves


O Pequeno Vagabundo

Querida mãe, querida mãe, a igreja é fria
Mas a taverna é saudável, agradável e quente
E posso dizer que lá me tratam bem.
Pois nem no céu passaria tão bem.

Mas se na igreja cerveja pudessem dar
E um bom fogo as nossas almas regalar
Por todo dia rezaríamos e cantaríamos,
e da igreja jamais nos afastaríamos.

Então o pastor poderia pregar e beber e cantar.
Seríamos tão felizes qual aves primaverís a voar,
E a senhora bebedeira sempre na igreja em oração,
Não teria filhos franzinos, nem jejum ou punição.

E Deus como um pai que se regozija em ver
Seus filhos como ele, amáveis e felizes a valer,
Não teria mais querelas com o Diabo e o barril,
mas lhe daria vestes, bebida e beijos mil.


O Jardim do Amor

O Jardim do Amor fui visitar, 
E vi então o que jamais notara: 
Lá bem no meio estava uma Capela, 
Onde eu no prado correra e brincara. 

E os portões desta Capela não abriam, 
E "Não farás" sobre a porta escrito estava; 
E voltei-me então para o Jardim do Amor 
Lá onde toda a doce flor se dava; 

E os túmulos enchiam todo o campo, 
E eram esteias funerárias as flores; 
E Padres de preto, em seu passeio secreto, 
Atando com pavores minhas alegrias & amores. 

William Blake, in "Canções da Experiência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves


O limpador de chaminés

Eu era bem novo e minha mãe morria, 
E meu pai vendeu-me quando eu mal sabia 
Balbuciar, chorando limpa-dor dor dor dor, 
Assim sujo e escuro sou o limpador. 

Aquele é Tom Dracre, que chorou na vez 
Em que lhe rasparam a cabeça: Vês – 
Consolei-o – Tom que é bom não ter cabelo, 
Pois assim fuligem não te suja o pêlo. 

Assim se acalmou. E numa noite escura 
Tom dormindo teve esta visão futura, 
Que mil limpadores Josés Chicos Joões 
Foram confinados em negros caixões. 

E então veio um Anjo com uma chave branca 
E os tirou do escuro destravando a tranca. 
E então entre risos ao campo saíram 
E entraram num rio e ao Sol reluziram. 

Sem sacos às costas, despida a camisa 
Voaram nas nuvens, brincaram na brisa; 
Disse o Anjo a Tom que, se fosse bonzinho, 
Deus feliz tomava-o como seu filhinho. 

E Tom despertando foi na escuridão 
Apanhar seu saco mais seu esfregão, 
E saiu alegre na manhã gelada. 
Quem seu dever cumpre não receia nada. 


A Imagem Divina

Compaixão, Pena, Paz & Amor, 
Todos lhes rezam no seu sofrimento; 
E a estas virtudes de tanto fulgor 
Entregam o seu agradecimento. 

Compaixão, Pena, Paz & Amor 
É Deus, nosso pai adorado, 
Compaixão, Pena, Paz & Amor 
É o Homem, seu filho amado. 

Tem Compaixão humano coração, 
E tem a Pena uma face humana, 
Amor, a forma divina de eleição 
E a Paz, o traje que irmana. 

Todo o homem, em todo o clima, 
Que, com dor, reza como é capaz, 
Reza à forma humana divina, 
Amor, Compaixão, Pena & Paz. 

A humana forma amar é um dever, 
Para os ateus, os turcos, os judeus; 
Compaixão, Amor & Pena, haja onde houver, 
Também é lá que encontrareis Deus. 

William Blake, in "Canções da Inocência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves


A resposta da terra

A Terra ergueu a cabeça 
Da escuridão funda e espessa. 
Em pétreo pavor, profundo, 
Sua luz era dispersa. 
Branqueou-lhe a fronte um desespero fundo. 

“Por litorais resguardada 
E pelos céus vigiada, 
Que me encanecem, consomem, 
Ouço, já velha e cansada, 
Chorando, a voz do Pai do antigo Homem! 

“Ó Pai dos homens, ciumento! 
Ó temor cruel e rude! 
Pode o deleite gerar 
As virgens da juventude 
E da aurora, se a noite o acorrentar? 

“Não ri a flórea estação 
Ao ver a flor e o botão? 
Acaso o semeador 
Semeia na escuridão 
E ara na noite negra o lavrador? 

“Quebra a corrente fatal 
Que me regela, ancestral. 
Egoísta e vã, peçonhenta! 
Qual maldição eternal 
Que à servidão o Amor Livre acorrenta.” 


Uma árvore de veneno

Tive ódio ao meu amigo: 
Disse-lhe, e o ódio findou. 
Tive ódio ao meu inimigo: 
Não lhe disse, e o ódio aumentou. 

Dia e noite lhe dei a água, 
Do medo e de minha mágoa; 
Dei-lhe o sol do riso claro, 
Que é só do engodo o anteparo. 

E a árvore cresceu noite e dia, 
E produziu grande pera; 
Meu inimigo, que a via, 
Soube de quem ela era; 

E entrou pelo meu pomar 
Na hora em que o dia se vela; 
E na aurora o fui achar 
Bem estirado sob ela. 



A Humana Súmula

A Piedade deixaria de existir 
Se não fizéssemos nós os Pobres de pedir; 
E a Compaixão também acabaria 
Se a todos, como nós, feliz chegasse o dia. 

E a paz se alcança com mútuo terror, 
Até crescer o egoísmo do amor: 
A Crueldade tece então a sua rede, 
E lança seu isco, cuidadosa, adrede. 

Senta-se depois com temores sagrados, 
E de lágrimas os chãos ficam regados; 
A raiz da Humildade ali então se gera 
Debaixo do seu pé, atenta, espera. 

Em breve sobre a cabeça se lhe estende 
A sombra daquele Mistério que ofende; 
É aí que Verme e Mosca se sustentam 
Do Mistério que ambos acalentam. 

E o fruto que gera é o do Engano 
Doce ao comer e tão malsano; 
E o Corvo o seu ninho ali o faz 
No mais espesso da sombra que lhe apraz. 

Todos os Deuses, quer da terra quer do mar, 
P'la Natureza esta Árvore foram procurar; 
Mas foi em vão esta procura insana, 
Esta Árvore cresce só na Mente Humana. 

William Blake, in "Canções da Experiência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves


Londres

Vagueio por estas ruas violadas, 
Do violado Tamisa ao derredor, 
E noto em todas as faces encontradas 
Sinais de fraqueza e sinais de dor. 

Em toda a revolta do Homem que chora, 
Na Criança que grita o pavor que sente, 
Em todas as vozes na proibição da hora, 
Escuto o som das algemas da mente. 

Dos Limpa-chaminés o choro triste 
As negras Igrejas atormenta; 
E do pobre Soldado o suspiro que persiste 
Escorre em sangue p'los Palácios que sustenta. 

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais 
É da jovem Prostituta o seu fadário, 
Maldiz do tenro Filho os tristes ais, 
E do Matrimónio insulta o carro funerário. 

William Blake, in "Canções da Experiência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves

Por Irineu Magalhães

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Obra poética completa de Fernando Pessoa para download

Fernando Pessoa poeta português, é considerado o maior poeta de língua portuguesa de todos os tempos, e um dos maiores da literatura universal. Fernando Pessoa foi um gênio da poesia, e um perfeito criador de personagens aos quais usava como heterônimos que assinaram seus poemas mais conhecidos:  Alberto Caeiro, Bernardo Soares, Álvaro de Campos, Pessoa, Ricardo Reis. 

Bem, criar personagens parece até uma tarefa fácil, mas dar a eles 'vida', completude, estilos próprios, obviamente diferentes do criador, é uma tarefa árdua cabida a poucos, propriamente aos mestres do seu naipe. Os personagens de Fernando Pessoa, não era os que habitam nos livros de ficção e romances, eram autores e poetas fictícios, personagens da vida real, que falava com seus leitores através do poemas e de correspondências.

Por Irineu Magalhães



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Explosão poética em Belém no dia da Poesia - Octavio Pessoa


14 de Março é o Dia Nacional da Poesia, em razão do aniversário de nascimento do poeta baiano Antonio Frederico Castro Alves. Este ano cai numa sexta-feira e, em Belém, os amantes da Poesia terão opções de  programação poética para prestigiarem.

          A partir das 19 horas, no Sesc Boulevard (em frente à Estação das Docas),  acontece a II Festa Paraense da Poesia. Na abertura, dentro do Projeto Rota Intercâmbio, apresentação da Poeta Rita Melém, com participação especial do grupo Arsenal de Rima. 



           Na sequência, o grupo VersiVox apresenta “O Samba Veio no Navio Negreiro”, baseado na obra de Castro Alves, o poeta dos escravos. Com Carlos Correia Santos, Ane Barbosa, Karina Lima, Renato Rosas, Alexandre da Silva, uma produção de Hudson Andrade.



          Na Praça do Artista, do CENTUR (Av. Gentil Bittencourt com a Rui Barbosa), também a partir das 7 da noite, ocorrerá o lançamento da Antologia do Instituto Cultural do Extremo Norte/ICEN, denominada  Eco Poético.  



          A “Eco Poético”  é uma coletânea com significativa parcela da produção poética paraense e amazônica e texto de Apresentação deste mais cronista do que poeta. Na programação do lançamento, a presença de poetas do Extremo Norte, dos cantores/compositores Alcyr Guimarães e Tommil Paixão, do grupo Ayvu Rapyta Contadores de História e dos dançarinos Nonato e Jéssica. 

          A efervescência cultural e particularmente da Poesia em Belém do Pará nos últimos tempos,  é indiscutível. A ação de poetas e grupos independentes, somada ao trabalho de escritores, agitadores e produtores culturais, fazem de Belém uma verdadeira  “Capital Amazônica da Poesia”.

          Aliás, acho que não é má ideia lutarmos pelo reconhecimento de Belém como “Capital Amazônica da Poesia”. Assim como  pessoas e grupos do Rio se movem pro Rio de Janeiro ser reconhecido como “Capital Nacional da Poesia”.

Penso que devemos valorizar também o 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, instituído pela XXX Conferência Geral da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, para promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da Poesia pelo mundo.


          Ficam as sugestões.

Por Octavio Pessoa

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The Poema - L. Rafael Nolli


The Poema - L. Rafael Nolli 

Era de cachos báquicos teus cabelos – entre cachos teus olhos: duas esféricas uvas em meio a tantas outras uvas: frágil película roxa, quase água – futuro vinho tinto. 

Era de pétalas e caule teu tronco de petúnia e pitonisa – duas possíveis auroras rosa-pálidas brotando da profundeza de teu corpo de tempestade e nuvem e calma – feérica maçã dormindo no regato de tuas coxas. 

Era de sonho e vigília tua presença – solilóquio com os corvos de Odim, desfraldar das velas da consciência: viagem, vôo.

Era noturna tua voz, clara tuas palavras: diálogo travado entre abelhas – o mel compensando o ferrão.



Rafael Nolli 

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Antologia poética de Hilda Hilst

Antologia poética de Hilda Hilst, 456 páginas  de pura poesia.


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Na Febre



Na febre pairam as idéias
Liberta-se a alma
Tem-se mais calma
Não se tem amnésias...
Na febre os delírios são constantes
Vejo batalhas e cavalheiros
Damas suaves e galanteios
Sexo em amor sincero e ofegante.
Na febre quando a temperatura baixa
Recomeça o estado da “normalidade”
Vê-se que mundo real e de formalidades
E anseio uma febre reserva em uma caixa ....

               Sabrina Vianna  

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